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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Campo de Batalha

A vida é um enigma, que não podemos simplesmente planejá-la como quisermos, porque os fatos não ocorrem como queremos, e sim de acordo com o destino, e devemos esperar pelo melhor, senão devemos superar o pior. Não podemos viver com mágoas, não devemos nos apegar tanto a coisas materiais, e devemos dar valor para o que realmente importa na nossa vida: O amor. É ele que dirige o mundo, é ele que faz o mundo ser um mundo melhor, porque sem amor não há como controlar toda a maldade do mundo, e não há como superar as coisas ruins da vida. Lutar contra uma doença não é nada fácil, lutar por meses, lutar para tentar sobreviver a algo ruim, lutar para se feliz, lutar para poder ser quem você era novamente, lutar para que a vida se reajuste. Isso são muitas das causas para se lutar, muitas das causas para se querer viver. O fato de sofrer com uma doença é muito triste, porque você não sabe o que fazer, você não sabe o que pensar, e não sabe o seu futuro. Apenas sabemos que pode resultar em algo bom ou ruim, mas nem sempre as coisas dão certa, nossa vida que planejamos muitos desses planos “vão por água abaixo”, e devemos nos adequar a essas mudanças, por mais desagradáveis que sejam, e por meio do amor, nós podemos direcionar isso, e levar com mais facilidade, o amor é um sentimento muito forte em momentos difíceis, é um sentimento muito forte que tem o poder de mudar o pensamento das pessoas. Meu nome é Tereza, sempre fui guerreira, batalhadora pelo os meus objetivos, e sempre tive uma vontade imensa de viver e de ser muito feliz, sempre aproveitando o que fosse possível da minha vida com as pessoas que eu amo e quero por perto de mim, mas como disse, não podemos apenas planejar a vida e achar que tudo vai ocorrer como queremos. Com minha doença que tive há um tempo, foram períodos muito difíceis de muita tristeza e de muito sofrimento de minha vida, e também para as pessoas ao meu redor, que sempre me apoiaram, e que sempre me deram força. Sempre corríamos para o hospital em busca de respostas, em busca de esperança, em busca de um milagre, para que o melhor acontecesse, foi um longo período de sofrimento, angústia, dor, sempre a espera de uma luz que pudesse me ajudar a viver, a continuar respirando. A esperança nunca desapareceu de meu coração, nunca desapareceu de minha alma, ela sempre foi como um sol brilhante dentro de mim, mas quando meu estado começou a piorar, eu tinha de me preparar para meu descanso, para meu sono eterno, tinha de preparar minha família, tinha de ser forte nos meus últimos momentos e passar segurança para as principais pessoas que eu amo. Minha vontade não era ir embora, eu queria viver, mas ainda assim eu tinha de ser forte, eu tinha de ser digna, tinha de amar intensamente a minha família até meu último segundo, precisava intensamente proteger, acalantar e enviar sinais. Sei que muitas pessoas sentirão minha falta, mas não quero que ninguém sofra pelo fato de eu ir embora, porque isso não é uma coisa ruim, não é uma coisa triste, pelo qual devemos chorar, e sim devemos ficar muito contentes, pois eu estou em um lugar melhor, estou junto das forças mais poderosas do universo. Estou em um lugar que a paz e o amor são regra, um lugar que não existe sofrimento e não existe tristeza, um lugar para se descansar, um lugar para poder seguir por toda a eternidade com muita alegria. Agora, que estou em outro lugar posso dizer, que, eu venci. Venci minha doença, eu venci o sofrimento e venci com dignidade e amor até o fim, venci lutando, e não desisti até eu conseguir vencer esse enfermo. Meu sofrimento acabou minha dor acabou, e eu saí vencedora desse campo de batalha que é a vida.

Esse conto eu fiz em homenagem à minha avó. Queria que ela pudesse ler, e se ela puder, quero que não pense que isso é como penso, de como é a morte, de como penso de como é tudo depois daqui.


Ca Menzoni

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Fomatura Inesquecível

Acordei com minha amiga chamando-me, ela disse que já tínhamos chegado ao aeroporto. Acordei um pouco zonza com a viagem de ônibus desde nossa cidade até São Paulo para poder pegar nosso vôo para o Canadá. Perguntei a Julie, que horas eram e ela me respondeu que eram exatamente dez e meia. O vôo sairia em meia hora. Enquanto descíamos do ônibus, minha mãe me liga: - Alô? Cyn? Já está no aeroporto? - Minha mãe era do tipo mãe coruja – Sim mãe, acabamos de chegar aqui, nosso vôo sairá em meia hora. – Ok filha, eu e seu pai estaremos na casa de sua avó, quando chegar ao Canadá, ligue. –Ok, eu te amo. Desliguei o celular, e já estávamos quase na entrada do saguão do aeroporto. Nossos guias disseram que teríamos de estar na fila do Vôo especial 667 em 15 minutos para que tudo ocorra normalmente, sem problemas e que enquanto isso, poderíamos comer ou comprar algo. Então eu e Julie fomos para uma “Casa do Pão de Queijo” que havia ali perto. Na fila enquanto escolhíamos o que iríamos comer, Julie me diz uma coisa que me chocou: - Cyn, eu estou muito nervosa, não queria nem sequer vir nessa viajem. – Que horror, por quê? – Porque eu sonhei durante várias noites, que algo não iria dar certo lá no Canadá, não sei. Eram sonhos escuros e sombrios, e eu sentia uma forte agonia, como se toda a felicidade do mundo houvesse sumido e que só existia eu e mais ninguém. – Ai meu amor, não pensa essas coisas, você só está nervosa porque nunca havia viajado tão longe de seus pais dessa forma. – Sei lá, parece tudo tão real, que eu estou começando a ficar com medo, isso está me perturbando profundamente. –Sabe que eu acho? Que você está com medo de andar de avião. Você não via ver ETs lá no céu não. –Ai para de debochar de mim, o que eu disse foi sério ok? Depois dessa conversa, compramos o nosso lanche e comemos, e ficamos falando de como seria legal o Canadá. No horário marcado, fomos para a fila e esperamos para poder embarcar; Eu estava nervosa, com um pouco de medo e muito ansiosa para o que seria a melhor viajem da minha vida. Julie estava inquieta ao meu lado, mandava muitos torpedos e ligou para a mãe dela que tentou acalmá-la com pouco sucesso. Disse a ela para se acalmar, e tomar os remédios dela, porque ela tem problemas de nervosismo e ansiedade. Passando pelo Gateway, seguimos para o avião. Subindo a escada do avião, olhei para trás e percebi que havia muitos alunos para embarcar. Fui até a minha cadeira, e a Julie até a dela que era na mesma coluna, mas na outra janela, ao meu lado sentaram Arthie e Nany. Eles eram muito legais, e éramos amigos desde o primário, e continuamos amigos até o último ano de colégio, eram como Julie, só que eram mais extrovertidos e alegres, então a Nany começou: Ai, Cyn eu estou tão feliz de estar nessa viajem com você, nem acredito que vamos juntas arrasar no Canadá (risos). –Estou ansiosa também, nem imagino como poderá ser. A aeromoça começa a explicar as regras de segurança, e pediu também que colocássemos os celulares em modo vôo ou para que desliguemo-nos porque iríamos decolar naquele instante. Depois da tensão de decolagem em que a maioria ficou muda, voltamos a conversar freneticamente e alegremente, teríamos que aproveitar o máximo, pois seria uma viagem inesquecível para todos, e como. Logo o piloto disse que a partir daquele momento já estávamos em velocidade de cruzeiro. Assim as aeromoças começaram a passar com a comida, como estava satisfeita com o lanche no café, dispensei e andar pelo corredor, percebi que Julie estava mais calma e feliz. Todos estavam conversando na maior algazarra felizes com a viagem, eu também estava, mas comecei a pensar no que Julie disse-me enquanto estávamos no aeroporto, que sentia que estava me perturbando um pouco. Estava muito quieta olhando pela janela, perto do banheiro, quando Nany me chamou, ela queria me mostrar uma revista que ela havia comprado do aeroporto. Enquanto folheávamos a revista, percebi que havia uma agitação na cabine e do aeroporto, e que algumas aeromoças estavam inquietas, e duas delas, inclusive um homem que eu n havia visto antes veio do fundo do avião e entraram na cabine do avião, eles conversavam baixo, mas como minha poltrona era perto da porta, eu ouvia ruídos de conversa. Eu estava paralisada tentando ouvir o que eles diziam, mas com o olhos na revista, até que Nany perguntou-me se eu estava bem, respondi que sim, mas precisava ir ao banheiro. Levantei-me, e Arthie me segurou pelo braço e sussurrando ele disse: -Cyn, você sentiu que as aeromoças estão esquisitas? –Sim, e não só as aeromoças, mas a cabine também, eu ouvia conversa agitada lá. –Será que está acontecendo alguma coisa? –Não sei, mas preciso descobrir. –Cyn, não se meta com essas coisas. –O que eles poderiam fazer? Jogar-me do avião? –Ok, mas pense bem no que faz, se quiser uma ajuda, estarei aqui. Quando seguia para o último banheiro, onde não havia muitas pessoas, uma aeromoça me barrou, e pediu para que eu fosse para a minha poltrona. Eu perguntei para ela o que estava acontecendo de tão secreto entre eles e ela respondeu que havia uma grande massa de fumaça vindo em nossa direção, e que tínhamos perdido o contato com os aeroportos, e estávamos voando sem rumo, mas parecia que estávamos sobrevoando o território das cordilheiras do Andes, e que iria avisar a todos quando fosse à hora, ele ainda estavam tentando saber o que estava acontecendo. Assim, aproveitei e perguntei se era algo sério e ela respondeu que sim e disse para todos terem calma, porque ela iria avisar os procedimentos corretos. Saiu assim, correndo para a cabine. Eu estava perplexa com a situação, e cada vez mais o sonho de Julie estava na minha cabeça, eu estava começando a ficar desesperada, tentei manter a calma, e voltei para a minha poltrona, angustiada, o que poderia acontecer com todos nós? Qual seria o nosso futuro? Nesse instante, sentimos uma forte turbulência, e as aeromoças saíram da cabine, e disseram que iríamos passar por uma forte turbulência, porque começamos a atravessar uma grande massa de fumaça e que tínhamos perdido o contato com os aeroportos e que precisávamos da calma de todos e repetiram o que fazer em casos como esse. Ficamos alguns instantes em turbulência leve, logo ela começou a piorar, e as luzes começaram a piscas, e sentimos que estávamos perdendo altitude, eu estava com muito medo do que iria acontecer. Até que o co-piloto do avião começa a falar desesperado: - Estamos perdendo muita altitude, creio que não vamos conseguir. Todos já desesperados, começam a gritar de chorar. Novamente o co-piloto fala: - Pessoal, vai ser agora, estamos a menos de mil metros do chão, em dois minutos será a colisão com o chão. Quando dizem que quando se está prestes a morrer, sua vida passa como um flash, isso não aconteceu comigo, eu estava com medo demais para pensar, para gritar, para chorar. Então o inevitável aconteceu só me lembro que bati a cabeça em algo, e apaguei. Quando acordei, vira algo que jamais presenciei em minha vida...

Continua...


Ca Menzoni

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Minha razão de viver

Não é possível, como isso por estar acontecendo? Isso é perturbador demais para qualquer pessoa. Isso é negligência, como os médicos não sabem o que ele tem? Eu não consigo parar de me fazer essa pergunta, isso é um absurdo, já pagamos todos os exames e só dizem que ele parece estar com gripe, desde quando gripe uma pessoa vomitar sangue puro e não consegue nem se mover nem falar, como se fosse um estado de coma só que uma pouco diferente, ele só vomitava, era um horror. Meu nome é Leid e vou contar o que ocorreu com meu eterno filho Zac. Ele sempre fora um menino muito inteligente, atencioso, carinhoso, um filho perfeito para uma família perfeita, éramos totalmente felizes, não havia do que reclamar de nossa vida de classe média, sempre saíamos todos os finais de semana para um passeio em família, num desses passeios fomos acampar e como era feriado ficamos quatro dias acampando numa mata perto de nossa cidade, muitas pessoas iam lá para passar o feriado. Alguns dias antes eu já comecei a preparar as mochilas e a nossa “farmácia de passeio”, nunca saio sem ela. Meu marido começou a preparar as barracas, sacos de dormir para prender no carro. Saímos de manhã cedo para aproveitar o dia com as inúmeras atividades que poderíamos fazer. Enquanto arrumávamos as coisas quando chegamos lá, Zac pediu-me para que fosse dar uma volta na mata, “explorar o território” como ele mesmo disse, nunca o tinha visto tão feliz e empolgado antes. Quando terminei de arrumar todas as coisas, percebi que já havia passado algumas horas e Zac ainda não voltara, instinto de mãe não mente e logo pensei que teria ocorrido alguma coisa, avisei ao meu marido e saí a procura do meu filho perfeito, angelical e doce. Comecei pela trilha que ele tinha apontado que iria caminhar, eu o chamava só que não havia nem sinal dele, comecei a ficar desesperada, e comecei a adentrar na mata e gritar pelo nome dele, eu estava maluca, aquilo não poderia ser acontecendo, aquilo não era real, eu gritava por seu nome, como nunca. De repente eu ouvi um som parecido com uma respiração, fraca, mas sonora. Comecei a seguir aquele som, quando vejo meu filho escondido embaixo de uma pedra, como se fosse uma caverna, que só lhe cabia. Corri até ele e o vi totalmente pálido e com profundas olheiras e olhando pro nada. Eu falava com ele, desesperada para saber o que estava acontecendo, só que ele nada dizia, não se movia. Peguei-o no colo e corri até o acampamento, só conseguia gritar por socorro, algo me dizia que aquilo não era bom, meu filho estava como um zumbi. Quando cheguei ao acampamento gritando por socorro, meu marido logo apareceu e tentou falar com ele, perguntando o que havia acontecido, eu lhe disse que teríamos que correr para o hospital mais próximo. Nós deixamos nossas coisas lá, apenas passei em casa para pegar meus documentos que havia deixado em casa para poder seguir para o hospital. Quando chegamos lá, os médicos o encaminharam para a emergência, porque pelo estado dele ele precisava fazer vários exames, para identificar com o que ele estava aparentemente era hipotermia, porque ele estava gelado, eu não havia percebido isso no desespero de encontrá-lo daquele jeito. Depois de vários exames, que não acusaram nada, decidiram enterná-lo, até uma decisão, mas concreta do caso dele. Ficamos vários cinco dias esperando por respostas, até que veio a notícia de que ele estava em coma, e mesmo em coma vomitava sangue. Eu fiquei totalmente chocada e comecei a chorar e a implorar para que os médicos salvassem meu filho de alguma forma, que fizessem o que pudessem, nem que fosse preciso eu gastar todo o meu dinheiro, até a última gota, nem que fosse preciso eu morrer para poder salvar o meu filho de seja lá o que fosse. O médico disse que provavelmente ele não resistiria, porque nunca houvera um caso assim na medicina, uma pessoa em coma que volta por alguns segundo vomitando sangue e depois entra em coma de novo, isso não existe, isso é um pesadelo. Meu marido disse que seria melhor irmos para casa, eu precisava dormir, eu precisava descansar um pouco. Depois de rolar muito na cama, consegui dormir, e tive um pesadelo terrível. O quarto do meu filho pegava fogo, enquanto ele gritava por socorro todo ensangüentado, e um vulto preto que o cobria, como se fosse um “cobertor”, mas o cobertor o protegia do fogo, tentava o salvar. Acordei com o toque do telefone, era o médico plantonista que tratava de Zac durante a madrugada, ele dizia que ele estava com muita febre e se debatia na cama e disse-me que precisava ir para o hospital nesse exato momento. Desligo o telefone e começo a chorar. –Matt, o que eu vou fazer? Nosso filho está a beira da morte, precisamos ir para o hospital agora. –Acalme-se, tudo irá acabar bem, ele voltará a ser nosso. –Eu o amo tanto. –Eu sei querida, eu também o amo. Corremos até o hospital que ficava a 10 minutos de casa. Quando chegamos lá, o médico nos disse que ele estava “bem”, mas não resistiria a mais uma crise dessa e ele faleceria em pouco tempo. Eu não pude me conter, eu não conseguiria viver sem o meu filho, sem o meu bebê, sem a minha razão de viver e amar. Matt me abraçou enquanto eu chorava enlouquecidamente. Pedi ao médico que me desse um tempo sozinha com ele, assim o fez. Sentei ao lado de Zac, peguei em sua mão fria e comecei a chorar, e falei que eu nunca o abandonaria, e que sempre ele seria o meu filho perfeito, de repente, sinto algo no quarto, e uma tristeza e agonia profunda me perturba no mesmo instante, o quarto começa a pegar fogo, logo eu me via atrás de meu filho o acobertando, tentando salva-lo daquele fogo, ele ficava quente da mesma forma, como se estivesse com febre, ele começou a se debater, mas naquele momento eu já não conseguia me mexer, ele pedia por socorro, só que ninguém o escutava, eu estava tentando salvar meu filho o matando do fogo, nesse momento me lembrei do meu sonho, e percebi que o vulto era eu, eu havia morri carbonizada e por todo esse tempo, tentei proteger meu filho de tudo que fosse ruim, e acabava sufocando ele, eu matei o que eu mais amava em toda a minha vida, meu filho, meu amor, minha razão de viver.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Razão de viver?

Podemos pensar que está tudo bem quando não está. Podemos nos iludir com as pessoas erradas, e nos arrependermos. E eu tenho certeza que eu fiz a coisa errada, mas a minha vontade de concertar meu erro é mínima.



A vontade que eu tenho é apodrecer em um canto vazio, numa sala escura.


Sempre fui uma garota mimada, que não tinha limites nem razões para viver. Eu vivia simplesmente para mim, satisfazendo apenas minhas necessidades e sonhando com coisas impossíveis e irreais.


Foi desse modo que a minha realidade mudou. Eu perdi tudo... eu perdi a vontade de viver.
Em um dia normal eu o vi. Na verdade, eu e minhas amigas estavamos fazendo uma comparação com o tal garoto e um artista famoso de Tv.


Alguns dias se passaram e em uma sexta-feira fizemos educação física juntos. Realmente ele jogava muito bem. Mais ou menos duas semanas se passaram e fomos ficando amigos.


Entre conversas e risadas aquilo foi se aprofundando e me arrastando para o fundo do poço sem me dar conta da gravidade da situação. Quando vi eu havia brigado com minha amiga. A melhor de toda a minha vida, e havia me metido numa grande confusão.


O garoto que eu gostava era - desculpem-me a expressão - um galinha. Ele me disse que era mentira, e eu acreditei nas palavras dele. A cada dia que passava eu ia ficando mais depressiva, a raiva e a dúvida me consumiam a um ritmo amedrontador.
Nada disso valeu a pena. Eu devia ter acreditado nas pessoas desde o começo, eu devia ser quem eu realmente era. Ela me amava daquele jeito. Mas não! EU , burra, me joguei no espaço sem pensar, sem saber dos riscos e nem das sequelas. Simplesmente amei e errei. Me arrependi e sofri. Minha vida de nada valeu até agora. Entendo como as pessoas que eu magoei se sentem... apenas, lixo.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A melhor parte da vida é a realidade

Acordei mal-humorada, estava em um dia daqueles em que não suportaria nada, criticas, reclamações, idiotices, e estava frustrada porque eu e meu marido que já estávamos casados a tanto tempo não tínhamos mais uma relação como antes, meus filhos já adolescentes não tínhamos mais um bom relacionamento, eu estava me sentindo sozinha, solitária e não estava tentando fazer nada para melhorar isso. Fiz o café da manhã, como sempre silencioso, como se não houvesse ninguém comigo. Antes de sair pedi para a Josefa, a empregada que limpasse o quintal dos fundos. Peguei minhas coisas e segui para o meu carro, todos já tinham saído, sem se despedir, éramos muito desunidos, era como se não houvesse amor, e se houvesse estaria escondido bem no fundo de todos nós, eu amava os meu filhos e meu marido, mas parecia que eles não sentiam o mesmo. No caminho minha cabeça estava totalmente congestionada de informações e problemas para resolver, pensava nas contas, no meu marido e nos meus filhos, no trabalho, estava estafada mentalmente, e estava começando me sentir mal fisicamente, chegando perto do meu local de trabalho, recebo uma ligação, era minha amiga Cristina que pediu para que eu passasse na Starbucks comprar um cappuccino para ela. Cristina disse que eu estava com uma voz muito estranha e perguntou se estava tudo bem e se queria conversar sobre algo, disse-lhe que só estava cansada pois tinha dormido mal a noite. Ela era muito amiga minha, nos conhecíamos desde o colegial, fizemos faculdade juntas, mas mesmo assim eu preferia guardar isso para mim, queria resolver sozinha, ela poderia me confundir mais ainda com seus conselhos e talvez eu poderia acabar fazendo a escolha errada. Segui para a Starbucks para comprar o cappuccino de Cristina, chegando lá estava bem cheia e tive de esperar um pouco, mas estava com tempo, tinha 30 minutos antes do horário, e como não era longe, estava sossegada, aproveitei e comprei um para mim também. Saindo de lá, chegando perto do meu carro, alguém tromba comigo e cai no chão, junto com meu cappuccino. Quando vejo um senhora, de estatura bem baixa, de certa forma rechonchuda que, parecia-me uma mendiga, como se tratava de uma senhora eu decidi não chegar. -Está tudo bem com a senhora?- disse ajudando ela a se levantar.-Muito obrigada minha cara.- Percebi que ela parecia muito com minha avó, materna, inclusive em sua voz.-Não há de que. Seguindo para o meu carro, deixando a senhora para trás, com as mãos já na maçaneta, a senhora chama pelo meu nome, olhei surpresa para ela, como ela sabia meu nome? Então, ela veio em minha direção. -Por favor, quero que fique com isso, use-o.- Ela me deu um colar, que tinha como pingente uma pequena pedra, não sei exatamente que pedra era aquela, mas sabia que era especial, ela tinha um brilho próprio, como uma estrela. -Fique com ele, e saberá seu significado em breve, mas escute, nunca deixe esse colar, independente do que aconteça, use com sabedoria. -O que? Mas eu não quero esse colar, para que serve? Senhora! - Ela sumiu dentro de um beco. Eu achei meio estranha a situação, e guardei o colar na minha bolsa. Liguei o carro, e dirigi até onde eu trabalhava, saindo do carro, eu comecei a ouvir um barulho tão agudo, que era ensurdecedor, o que seria aquilo?



Continua...

Ca Menzoni

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Amor sem Fronteiras

Está na hora de acabar com tudo isso. Essa história já me custou muito caro. Magoei meus amigos. Magoei minha família. Eu me magoei.
Simplesmente, vale a pena continuar? Vale a pena levar isso adiante? Vale a pena ser uma pessoa que eu não sou?

Essa é a minha história, a história de uma garota que deu tudo de si, por um amor impossível. Não é verdade se eu disser que realmente esqueci ele, pois não esqueci. E agora estou aqui, completamente sem nada. Moro de favor na casa de uma amiga, que apesar de tudo o que eu fiz, ainda me ama e me quer.

Acho que chegou a hora de parar com esse vício, de ser quem eu sou, de verdade, de assumir minhas responsabilidades e de me redimir com todos.

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Primeiro ano no colegial, ansiosa e nervosa me dirigi apressadamente à minha carteira. Eu entrei no meio do ano em uma escola nova, minha mãe havia sido transfirida de Chicago para a Cidade do México. Não estava feliz com aquela mudança repentina, sempre acho um mico mudar de escola, eu odeio!

Sentei em minha carteira e joguei a bolsa no chão, abaixei a cabeça e fiquei rezando para aquele dia acabar de uma vez.

Agora vem a parte interessante, mas ordinária. Pode ser loucura , essa coisa de amor a primeira vista não existe. Nunca existiu. Mas aquilo FOI amor a primeira vista.

Ele passou divinamente em minha frente, parecia flutuar, ele não caminhava, ele voava sobre nossas cabeças paracendo um anjo, um deus grego. Fiquei olhando ele se sentar na carteira em frente a minha e fiquei olhando sua nuca a aula inteira, até a hora do almoço.

Bateu o sinal e eu levei um susto, eu simplesmente não havia ouvido nada que o professor havia falado. Me levantei da carteira e fui, sem pressa, para a ila do refeitório. Depois de comprar uma maçã, um pudim de chocolate e um suco de uva, comecei a procurar um lugar para sentar.

- Oi, você é a garota que veio de Chicago.

Levei um susto, virei para trás. Era a menina que havia me mostrado minha sala.

- É sou eu sim - dei um meio sorriso de vergonha.

- Vem sentar comigo, quase ninguém senta na mesa em que EU sento. Acho que eu sou uma estranha por aqui.

- Então somos duas - dessa vez dei um sorriso sincero de compreensão.

Eu me sentei na mesa com ela, e realmente, haviam apenas, eu, ela, um garoto de óculos e mais duas meninas ruivas e gêmeas. Desembrulhei minha maçã e dei uma dentada, tomei um gole de suco.

- Então, meu nome é Leyla, e o seu? - perguntou a garota enquanto desembrulhava seu cupcake.

- Eu? Lea. Na verdade é Lorena, mas eu não gosto de Lorena. Me chama de Lea.

- Ok, Lea. - demos uma risada nervosa.

Em três dentadas eu já havia terminado minha maçã, terminei o suco e comecei a comer o pudim. Quase me engasgo quando vejo aquele garoto lindo passando novamente.

- Hum... Vejo que você reparou no Jordan. Ele não é flor que se cheire já vou te avisando. É tipo uma planta carnívora que atrai os mosquitos depois os engole. Duas garotas que já namoraram com ele repetiram de ano.

- Sério? Ele tem um rosto tão angelical, como pode um garoto assim ser tão... - não encontrei a palavra certa - sei lá... vamos esquecer esse assunto.

- Sim, vamos!







Passaram-se duas semanas e eu e a Leyla ficamos super amigas. Passeávamos juntas e íamos fazer compras, a tarde, depois da escola ela ia na minha casa e nos sábados eu ia na casa dela. No começo da terceira semana parece que tudo mudou.

Cheguei como de costume, coloquei minha bolsa no chão e sentei esperando o professor chegar. A Leyla passava, a gente ficava conversando e quando o sinal batia para o início das aulas eu virava para frente e via o garoto mais lindo do mundo sentar na minha frente. Porém, dessa vez ele olhou para trás e disse:

- Oi, você é nova por aqui? - ele parecia bastante impressionado.

- Sim, sou nova sim, mas, já fazem duas semanas.

- Ah sim! Estou lembrado. A Lorena...

- Lea.

- Quê?

- Me chama de Lea - corrigi rapidamente.

- Me chame de Jordan.

O professor de español entrou na sala como sempre, o Jordan continuou me encarando, isso me deixou muito sem graça. Nenhum menino lindo daquele jeito ficava me encarando por tanto tempo.

- Sr. Jordan Kevin, poderia virar-se para frente e prestar atenção na aula?

Ele virou lentamente.

O sinal tocou, eu e a Leyla fomos para a fila da cantina. Eu peguei milk-shake e fritas e a Leyla um sanduiche natural e uma agua de côco. As vezes ela tinha umas crizes de ser natureba. Quando íamos sentar em nossas mesas o Jordan apareceu.

- Ei Lea, quer vir sentar com a gente? - ele apontou para a mesa dos populares, sempre cheia de gente comendo frutas ou se exercitando, eu me sentiria uma estranha comendo fritas.

- Não obrigada! Tem muita gente pro meu gosto. Eu acho que prefiro comer minhas fritas também, se não se importa. Não estou de regime.

Ele riu - Você é engraçada. Mas, se um dia quiser começar a malhar e comer bem é bem vinda - e se retirou.

- Eu não diria que aquilo é comer bem.





Isso continuou acontecendo durante mais três dias quando eu decidi aceitar o convite dele.

- Você pode vir também Leyla.

- Não obrigada, pefiro não sofrer uma lavagem cerebral.

- Leyla, tá tudo bem se eu for apenas hoje?

- Tá, tá tudo bem. Mas vê se não vai viciar em frutas. - ela deu uma piscadela.

Caminhei até o ponto de encontro dos populares, fui bem recebida com olás e "como vai?", e todo o tipo de informalidade possível. O local tinha um cheiro forte, que de início eu não estava reconhecendo. Havia realmente muita gente, que ocupavam duas mesas inteiras.

As mesas ficavam do lado de fora do pátio, onde ainda batia um pouco de sol. Olhei para um dos lados, havia um jardim, com várias flores de todas as cores possíveis, nunca havia reparado, era linda aquela parte da escola. Olhei para o outro lado e logo mudei minha opinião sobre o quesito "linda". Haviam dois meninos, quer dizer, adolescentes, usando drogas. O cheiro era bem forte. Às vezes vinha outra pessoa e usava também. Achei aquilo horrível, repulsivo, pensei em sair correndo daquele lugar horroroso.

- Ei garota. Quer experimentar? - um dos garotos perguntou.

- Não, não obrigada! - eu respondi apressadamente com o intuito de sair dali bem rápido.

- Ah, qual é gata, senta aí. Experimenta. - ele insistiu.

Todos começaram a me empurrar em direção aos garotos. "Experimenta!", "Vamos para de ser covarde.", "Vamos, experimente".

Eu peguei a droga em minhas mãos e coloquei um pouco na boca. Nunca havia experimentado aquela sensação, era uma coisa meio maluca. Não sentia meus pés tocarem no chão, comecei a ficar meio tonta, sentei. Não enxergava dois palmos a minha frente.

- Eu não estou bem. - aleguei.

- Isso é normal na primeira vez que vocês experimenta. É só uma questão de tempo.





Estava sentada em minha cama, um pouco tonta ainda, mas não tanto. Fiquei pensando naquele momento em que experimentei algo tão viciante. Aquilo sugou todas as minhas forças, mas eu gostei. Aliás, eu adorei! Eu precisava experimentar de novo. Apenas mais um pouco e pararia, deixaria isso de lado, tenho certeza.

Peguei meu casaco e as chaves de casa, deixei um bilhete para minha mãe que iria à casa de uma amiga e sai, de bicicleta até a escola. Ao chegar lá vi alguns garotos, não os mesmos, mas eram três, e estavam fumando. Me aproximei.

- Eu posso me juntar a vocês? - perguntei com muita vergonha.

- Claro, senta aí. - disse um dos garotos loiros.

Eu me sentei ao lado dele e eles me ofereceram um cigarro.

- Não, eu quero mesmo é aquela... acho que chama cocaína. - falei na maior cara de pau.

- Ah, desculpe, a gente não trouxe hoje. Apenas cigarro e maconha mesmo.

- Lea?

Levantei a cabeça e vi Jordan, fiquei muito surpresa e hipnotizada.

- Oi Jordan - falei enquanto levantava, com muita vergonha.

- O que veio fazer aqui? - ele olhou para a minha cara com muito espanto.

- É que sabe, eu... experimentei aquilo hoje de manhã e quiz experimentar só mais um pouco sabe? É... isso... - eu disse.

- Ah! Já entendi. Vamos à minha casa. Eu acho que eu tenho um pouco ainda.

Entramos num carro muito bonito, preto, de estilo conversível. Chegamos à casa dele e sentamos em sua cama.

- Desculpe o incômodo Jordan.

- Não se preocupe. Meus pais não estão em casa, então podemos usar à vontade - ele piscou.

Ele subiu em uma cadeira e pegou uma caixa grande em cima do guarda-roupa.

- Pensei que você tinha um pouco apenas - dei uma risada sonora, ele olhou para minha cara e começou a rir também. Olhamos um nos olhos do outro e ficamos durante um minuto, porém, um minuto intenso.

- É e então? Quer? - ele tirou um saquinho da caixa e me ofereceu.

Não sei mais o que aconteceu. Não lembrei de nada de manhã, quando acordei em minha cama.

Levatei com dificualdade. Olhei em volta e não reconheci o lugar. Cambaleei até a porta. Ela dava para um corredor bem iluminado e sofisticado. Realmente não era a minha casa. Fui andando pelo corredor ainda sonolenta.

- Lara, Lara, ela acordou! - falou um homem de branco.

- Como assim? - perguntei.

A Leyla chegou e olhou espantada para mim. Mais duas mulheres e um homem chegaram.

Leyla me levou para o quarto em que eu estava antes. Me sentou na cama e afastou alguns aparelhos de hospital.

- Lea. Eu havia te avisado sobre o Jordan. - ela hesitou e então eu falei:

- Quem são aquelas pessoas, o que eu estou fazendo aqui?

- Aqueles são meus pais e a enfermeira, e o de branco é o doutor. Lea, você sofreu um acidente de carro e ficou em coma. Perdeu pequena parte da memória também. Você começou a namorar com o Jordan e começou a beber e se aproximar do mundo das drogas. Seus pais, quando descobriram, te expulsaram de casa. Nesse último sábado você sofreu um acidente, Jordan estava bêbado e bateu o carro na Praça Central e agora você está aqui na minha casa. O Jordan nem ligou para sua situação. Ele já está outra.

Depois que soube disso me recuperei e sai do mundo das drogas. Agora estou aqui, tentando me redimir com todos que magoei. E procurando um jeito de agradecer tudo o que Leyla e seus pais fizeram por mim.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Em uma noite de verão 2

Não havia mais razão para viver. Eu havia perdido tudo. Não tinha mais nada para amar e nem cuidar. Ninguém para cuidar de mim e me amar.

Sem rumo me dirigi à entrada, novamente ignorando o corpo de meu pai.
- Ei, Carina, você está bem? - perguntou Jonny, meio sem jeito, ou John, como chamava meu pai. Eles eram amigos intimos, imagino que Jonny estivesse abalado pelo acontecimento também.
- Como você acha que estou me sentindo?
- Se quiser pode ir lá para casa até conseguirmos fazer contato com algum parente seu.
- Não, eu quero ficar aqui em casa, sozinha.
- Você não pode - ele disse em um tom alarmante - Não entende? Já contatamos Nora de que ele deveria procurar um local seguro. Você ainda É a próxima vítima.
- Jonny você nunca vai entender como é a dor de perder um pai desse jeito. Assassinado. O seu pai morreu de velhice agora que você tem 50 anos! Eu quero vingança, eu quero matar esse sujeito!
- Eu entendo, mas é muito arriscado. Você vai ter sua vingança. Mas por enquanto, eu lhe peço, fique lá em casa. - ele olhou para mim de um jeito que não pude negar. Eu vi a dor em seus olhos e o desespero.
- Tudo bem - disse finalmente vencida - eu fico.


Já na casa dele comemos macarrão instantâneo. Fomos deitar cedo, sem assunto e sem nada para fazer. Ele fez uma cama no sofá para mim, o sofá dele era muito confortável.
Eu tive um sonho muito estranho esta noite, sonhei que eu estava estirada no chão, no sol, sagrando, Gregory, mais conhecido como Van Don Launmer, estava passando sal e limão sobre os meus ferimentos. Foi horrível.
Acordei assustada ainda de noite ouvindo alguns barulhos. Devagar me levantei e acendi a luz, quase tive um "treco" quando vi Jonny parado na escada com cara de zumbi. Ele correu para meu lado, cobriu minha boca com as mãos, me impossibilitando de fazer algum barulho, apagou a luz e se escondeu atrás do sofá, me puxando junto.
- NUNCA acenda a luz quando ouvir barulhos, entendeu? - ele sussurrou em meu ouvido.
Eu balancei a cabeça em sinal afirmativo. Ele destapou a minha boca.
- O que está acontecendo?
- Eu desci para beber água e vi um vulto passando. Duas vezes. Se for o Gregory, ele realmente é muito descuidado.
- E agora o que vamos fazer?
- Vamos sair daqui e chamar a polícia.
Ele foi me puxando até a porta de entrada e tentou abrir, trancada. Fomos até a janela e tentamos abrir, também trancada.
- Ele é mais esperto do que eu pensava.
Tentamos todas as janelas da casa. Deve ter levado bastante tempo.

As luzes se acenderam quando estávamos tentando abrir a porta dos fundos. Olhamos para trás e lá estava ele.
- Quer dizer que nos encontramos novamente não é? - Gregory perguntou com um sorriso de malícia no rosto.
- Eu só tenho uma coisa a dizer com isso. Na verdade, a perguntar. - falou Jonny, ele tinha uma coragem que eu admirava - Por que você quer fazer chantagem à Nora?
- Oh! Eu não queria fazer chantagem. Eu queria vingança.
- Por que? - eu perguntei meio abobada, surpresos eles olharam para mim.
- Na época do colégio eu gostava dela, mas tinha vergonha de expor meus sentimentos, e durante muito tempo me esnobou. Quando crescemos ela me contratou, eu precisava de dinheiro. Ela começou a namorar seu pai e teve você, uma criatura insignificante. Agora consegui me vingar com seu pai, mas não com Nora.
- Isso não está nem um pouco certo. Que culpa tinha meu pai nisso? - perguntei indignada.
- Se ela não fica comigo, não fica com ninguém - Gregory respondeu. A raiva transparecendo em seus olhos.
- Você é um egoísta maluco! - eu me admirei com minha coragem naquele momento.
- Ah! Esqueci de dar a noticia maior. Eu vou te matar, agora e aqui. - ele olhou para Jonny - e você também caro Senhor Jonny.
Ele sacou uma arma e apontou para mim. Atirou, senti minha pele queimar no lugar que foi atingido. Eu caí no chão e me contorci de dor. Acho que nessa hora a polícia arrombou a porta.


- Carina, por favor, acorde. Por favor.
- Jonny?
- Sim?
- Você está vivo? Está bem?
- Eu estou bem - ele respondeu.
- Então isso é o que importa. Me deixe morrer eu não quero mais viver. Só quero uma coisa.
- Qualquer coisa - disse ele entre lágrimas e soluços.
- Eu quero matar Gregory.

Ele olhou para mim com cara de assustado. Sem cerimônia me ergueu e colocou sobre seus ombros. A dor estava quase dominando, mas eu teria de resistir apenas mais um pouco. Ele colocou uma faca em minhas mãos e sussurrou:
- Todo seu - segurou minha mão e a posicionou - é só ir fundo.
Olhei para baixo e vi uma imagem embaçada de um homem se contorcendo, parecendo que estava tentando se livrar de algo amarrado na boca.
Hesitei. Será que eu queria ser igual a ele? Queria ser uma menina assassina? E a resposta? Sim. Eu queria. Fiz uma força tremenda, mas fiz o trabalho sujo e me rendi, para finalmente descansar em paz e encontrar meu pai, onde quer que ele estivesse.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O Mistério de Emilly John - Parte 1 : Em meu quarto

- Este conto é um pouco grande, como se fosse um livro. Vou postando em partes para não ficar muito enjoativo de ler.
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Eu sou Emilly. Emilly Parks John. Moro em Santa L'avigne faz um bom tempo. St L'avigne é uma cidade do interior quase esquecida pelo planeta. Talvez nem conste no mapa. Pelo menos, no meu velho e surrado Atlas não avistei nenhum sinal, mas é tão velho que suas informações são meio duvidosas.
Há um certo acontecimento que vem me importunando faz algum tempo. Vários sequestros vêem acontecendo. Três em apenas quatro semanas. E o pior, sem deixar rastro nenhum.
Um exemplo foi a minha professora, ela sumiu há alguns dias, o que me deixa com um enorme tempo livre. Estou entediada agora, sem lições de casa, sem deveres, eu devia estar feliz com isso, mas por que não consigo?
- Filha, vem me ajudar a servir o jantar! - ouvi minha mãe dizer, como sempre, pontualmente às 19 horas.
Levantei-me devagar e me dirigi à cozinha.
Coloquei a mesa e eu e minha mãe sentamos para comer. Comi um pedaço de frango e um milho cozido inteiro.
Bati o olho no jornal que estava ao meu lado e li a manchete: "Louco sequestra pessoas em Santa L'avigne".
- Este jornal é de hoje mãe? - perguntei tentando não parecer muito interessada.
- É sim, filha, se quiser pode pegar, eu já terminei de ler.
Abri na página indicada pela manchete e li rapidamente alguns parágrafos.
" Nesta última terça-feira foi encontrado o esconderijo de Adamastor Carlos próximo ao posto de gasolina em St L'avigne. Foram encontrados Jaime Lohan, pediatra, Kelly Clark, professora e Augusto Gonçalvez, dentista em um pequeno quarto em condições muito precárias [...]"
"[...]Não se sabe ainda o motivo do sequestro, mas Adamastor será investigado amanhã, quinta-feira."
"Acredita-se ainda que Adamastor pode ter sido o autor do assassinato de"...
Não acreditei no que estava lendo, realmente eu não acreditei. O meu pai, Thompson John. Ele!
Minha mãe havia dito que ele sofreu um acidente de carro! Meu Deus. Ele não sofreu um acidente de carro. Ele foi assassinado por Adamastor Carlos, um louco, psicopata!
Acordei cedo, o café estava na mesa. Me sentia muito cansada, a ponto de arranjar um escândalo a qualquer momento. Eu tive um pesadelo, mas não me lembro de nada, só sei que eu não consegui descansar nem um pouco.
- Mãe, a gente precisa conversar.
- So-sobre o que? - ela disse meio nervosa, o que fez eu desconfiar mais ainda que ela escondia algo de mim.
Eu pedi pra ela sentar, peguei a reportagem ao qual o nome do meu pai estava escrito e mostrei à minha mãe. Ela ficou paralisada por um tempo e depois começou a chorar.
- Pensei que eu havia escondido essa matéria. Mas, - ela suspirou - vejo que chegou a hora de contar...
Ela não continuou a frase.
- Contar o que? - perguntei já irritada.
Ela hesitou - Thompson Jones... Não é seu pai.

                 CONTINUA...