quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Amor sem Fronteiras

Está na hora de acabar com tudo isso. Essa história já me custou muito caro. Magoei meus amigos. Magoei minha família. Eu me magoei.
Simplesmente, vale a pena continuar? Vale a pena levar isso adiante? Vale a pena ser uma pessoa que eu não sou?

Essa é a minha história, a história de uma garota que deu tudo de si, por um amor impossível. Não é verdade se eu disser que realmente esqueci ele, pois não esqueci. E agora estou aqui, completamente sem nada. Moro de favor na casa de uma amiga, que apesar de tudo o que eu fiz, ainda me ama e me quer.

Acho que chegou a hora de parar com esse vício, de ser quem eu sou, de verdade, de assumir minhas responsabilidades e de me redimir com todos.

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Primeiro ano no colegial, ansiosa e nervosa me dirigi apressadamente à minha carteira. Eu entrei no meio do ano em uma escola nova, minha mãe havia sido transfirida de Chicago para a Cidade do México. Não estava feliz com aquela mudança repentina, sempre acho um mico mudar de escola, eu odeio!

Sentei em minha carteira e joguei a bolsa no chão, abaixei a cabeça e fiquei rezando para aquele dia acabar de uma vez.

Agora vem a parte interessante, mas ordinária. Pode ser loucura , essa coisa de amor a primeira vista não existe. Nunca existiu. Mas aquilo FOI amor a primeira vista.

Ele passou divinamente em minha frente, parecia flutuar, ele não caminhava, ele voava sobre nossas cabeças paracendo um anjo, um deus grego. Fiquei olhando ele se sentar na carteira em frente a minha e fiquei olhando sua nuca a aula inteira, até a hora do almoço.

Bateu o sinal e eu levei um susto, eu simplesmente não havia ouvido nada que o professor havia falado. Me levantei da carteira e fui, sem pressa, para a ila do refeitório. Depois de comprar uma maçã, um pudim de chocolate e um suco de uva, comecei a procurar um lugar para sentar.

- Oi, você é a garota que veio de Chicago.

Levei um susto, virei para trás. Era a menina que havia me mostrado minha sala.

- É sou eu sim - dei um meio sorriso de vergonha.

- Vem sentar comigo, quase ninguém senta na mesa em que EU sento. Acho que eu sou uma estranha por aqui.

- Então somos duas - dessa vez dei um sorriso sincero de compreensão.

Eu me sentei na mesa com ela, e realmente, haviam apenas, eu, ela, um garoto de óculos e mais duas meninas ruivas e gêmeas. Desembrulhei minha maçã e dei uma dentada, tomei um gole de suco.

- Então, meu nome é Leyla, e o seu? - perguntou a garota enquanto desembrulhava seu cupcake.

- Eu? Lea. Na verdade é Lorena, mas eu não gosto de Lorena. Me chama de Lea.

- Ok, Lea. - demos uma risada nervosa.

Em três dentadas eu já havia terminado minha maçã, terminei o suco e comecei a comer o pudim. Quase me engasgo quando vejo aquele garoto lindo passando novamente.

- Hum... Vejo que você reparou no Jordan. Ele não é flor que se cheire já vou te avisando. É tipo uma planta carnívora que atrai os mosquitos depois os engole. Duas garotas que já namoraram com ele repetiram de ano.

- Sério? Ele tem um rosto tão angelical, como pode um garoto assim ser tão... - não encontrei a palavra certa - sei lá... vamos esquecer esse assunto.

- Sim, vamos!







Passaram-se duas semanas e eu e a Leyla ficamos super amigas. Passeávamos juntas e íamos fazer compras, a tarde, depois da escola ela ia na minha casa e nos sábados eu ia na casa dela. No começo da terceira semana parece que tudo mudou.

Cheguei como de costume, coloquei minha bolsa no chão e sentei esperando o professor chegar. A Leyla passava, a gente ficava conversando e quando o sinal batia para o início das aulas eu virava para frente e via o garoto mais lindo do mundo sentar na minha frente. Porém, dessa vez ele olhou para trás e disse:

- Oi, você é nova por aqui? - ele parecia bastante impressionado.

- Sim, sou nova sim, mas, já fazem duas semanas.

- Ah sim! Estou lembrado. A Lorena...

- Lea.

- Quê?

- Me chama de Lea - corrigi rapidamente.

- Me chame de Jordan.

O professor de español entrou na sala como sempre, o Jordan continuou me encarando, isso me deixou muito sem graça. Nenhum menino lindo daquele jeito ficava me encarando por tanto tempo.

- Sr. Jordan Kevin, poderia virar-se para frente e prestar atenção na aula?

Ele virou lentamente.

O sinal tocou, eu e a Leyla fomos para a fila da cantina. Eu peguei milk-shake e fritas e a Leyla um sanduiche natural e uma agua de côco. As vezes ela tinha umas crizes de ser natureba. Quando íamos sentar em nossas mesas o Jordan apareceu.

- Ei Lea, quer vir sentar com a gente? - ele apontou para a mesa dos populares, sempre cheia de gente comendo frutas ou se exercitando, eu me sentiria uma estranha comendo fritas.

- Não obrigada! Tem muita gente pro meu gosto. Eu acho que prefiro comer minhas fritas também, se não se importa. Não estou de regime.

Ele riu - Você é engraçada. Mas, se um dia quiser começar a malhar e comer bem é bem vinda - e se retirou.

- Eu não diria que aquilo é comer bem.





Isso continuou acontecendo durante mais três dias quando eu decidi aceitar o convite dele.

- Você pode vir também Leyla.

- Não obrigada, pefiro não sofrer uma lavagem cerebral.

- Leyla, tá tudo bem se eu for apenas hoje?

- Tá, tá tudo bem. Mas vê se não vai viciar em frutas. - ela deu uma piscadela.

Caminhei até o ponto de encontro dos populares, fui bem recebida com olás e "como vai?", e todo o tipo de informalidade possível. O local tinha um cheiro forte, que de início eu não estava reconhecendo. Havia realmente muita gente, que ocupavam duas mesas inteiras.

As mesas ficavam do lado de fora do pátio, onde ainda batia um pouco de sol. Olhei para um dos lados, havia um jardim, com várias flores de todas as cores possíveis, nunca havia reparado, era linda aquela parte da escola. Olhei para o outro lado e logo mudei minha opinião sobre o quesito "linda". Haviam dois meninos, quer dizer, adolescentes, usando drogas. O cheiro era bem forte. Às vezes vinha outra pessoa e usava também. Achei aquilo horrível, repulsivo, pensei em sair correndo daquele lugar horroroso.

- Ei garota. Quer experimentar? - um dos garotos perguntou.

- Não, não obrigada! - eu respondi apressadamente com o intuito de sair dali bem rápido.

- Ah, qual é gata, senta aí. Experimenta. - ele insistiu.

Todos começaram a me empurrar em direção aos garotos. "Experimenta!", "Vamos para de ser covarde.", "Vamos, experimente".

Eu peguei a droga em minhas mãos e coloquei um pouco na boca. Nunca havia experimentado aquela sensação, era uma coisa meio maluca. Não sentia meus pés tocarem no chão, comecei a ficar meio tonta, sentei. Não enxergava dois palmos a minha frente.

- Eu não estou bem. - aleguei.

- Isso é normal na primeira vez que vocês experimenta. É só uma questão de tempo.





Estava sentada em minha cama, um pouco tonta ainda, mas não tanto. Fiquei pensando naquele momento em que experimentei algo tão viciante. Aquilo sugou todas as minhas forças, mas eu gostei. Aliás, eu adorei! Eu precisava experimentar de novo. Apenas mais um pouco e pararia, deixaria isso de lado, tenho certeza.

Peguei meu casaco e as chaves de casa, deixei um bilhete para minha mãe que iria à casa de uma amiga e sai, de bicicleta até a escola. Ao chegar lá vi alguns garotos, não os mesmos, mas eram três, e estavam fumando. Me aproximei.

- Eu posso me juntar a vocês? - perguntei com muita vergonha.

- Claro, senta aí. - disse um dos garotos loiros.

Eu me sentei ao lado dele e eles me ofereceram um cigarro.

- Não, eu quero mesmo é aquela... acho que chama cocaína. - falei na maior cara de pau.

- Ah, desculpe, a gente não trouxe hoje. Apenas cigarro e maconha mesmo.

- Lea?

Levantei a cabeça e vi Jordan, fiquei muito surpresa e hipnotizada.

- Oi Jordan - falei enquanto levantava, com muita vergonha.

- O que veio fazer aqui? - ele olhou para a minha cara com muito espanto.

- É que sabe, eu... experimentei aquilo hoje de manhã e quiz experimentar só mais um pouco sabe? É... isso... - eu disse.

- Ah! Já entendi. Vamos à minha casa. Eu acho que eu tenho um pouco ainda.

Entramos num carro muito bonito, preto, de estilo conversível. Chegamos à casa dele e sentamos em sua cama.

- Desculpe o incômodo Jordan.

- Não se preocupe. Meus pais não estão em casa, então podemos usar à vontade - ele piscou.

Ele subiu em uma cadeira e pegou uma caixa grande em cima do guarda-roupa.

- Pensei que você tinha um pouco apenas - dei uma risada sonora, ele olhou para minha cara e começou a rir também. Olhamos um nos olhos do outro e ficamos durante um minuto, porém, um minuto intenso.

- É e então? Quer? - ele tirou um saquinho da caixa e me ofereceu.

Não sei mais o que aconteceu. Não lembrei de nada de manhã, quando acordei em minha cama.

Levatei com dificualdade. Olhei em volta e não reconheci o lugar. Cambaleei até a porta. Ela dava para um corredor bem iluminado e sofisticado. Realmente não era a minha casa. Fui andando pelo corredor ainda sonolenta.

- Lara, Lara, ela acordou! - falou um homem de branco.

- Como assim? - perguntei.

A Leyla chegou e olhou espantada para mim. Mais duas mulheres e um homem chegaram.

Leyla me levou para o quarto em que eu estava antes. Me sentou na cama e afastou alguns aparelhos de hospital.

- Lea. Eu havia te avisado sobre o Jordan. - ela hesitou e então eu falei:

- Quem são aquelas pessoas, o que eu estou fazendo aqui?

- Aqueles são meus pais e a enfermeira, e o de branco é o doutor. Lea, você sofreu um acidente de carro e ficou em coma. Perdeu pequena parte da memória também. Você começou a namorar com o Jordan e começou a beber e se aproximar do mundo das drogas. Seus pais, quando descobriram, te expulsaram de casa. Nesse último sábado você sofreu um acidente, Jordan estava bêbado e bateu o carro na Praça Central e agora você está aqui na minha casa. O Jordan nem ligou para sua situação. Ele já está outra.

Depois que soube disso me recuperei e sai do mundo das drogas. Agora estou aqui, tentando me redimir com todos que magoei. E procurando um jeito de agradecer tudo o que Leyla e seus pais fizeram por mim.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Em uma noite de verão 2

Não havia mais razão para viver. Eu havia perdido tudo. Não tinha mais nada para amar e nem cuidar. Ninguém para cuidar de mim e me amar.

Sem rumo me dirigi à entrada, novamente ignorando o corpo de meu pai.
- Ei, Carina, você está bem? - perguntou Jonny, meio sem jeito, ou John, como chamava meu pai. Eles eram amigos intimos, imagino que Jonny estivesse abalado pelo acontecimento também.
- Como você acha que estou me sentindo?
- Se quiser pode ir lá para casa até conseguirmos fazer contato com algum parente seu.
- Não, eu quero ficar aqui em casa, sozinha.
- Você não pode - ele disse em um tom alarmante - Não entende? Já contatamos Nora de que ele deveria procurar um local seguro. Você ainda É a próxima vítima.
- Jonny você nunca vai entender como é a dor de perder um pai desse jeito. Assassinado. O seu pai morreu de velhice agora que você tem 50 anos! Eu quero vingança, eu quero matar esse sujeito!
- Eu entendo, mas é muito arriscado. Você vai ter sua vingança. Mas por enquanto, eu lhe peço, fique lá em casa. - ele olhou para mim de um jeito que não pude negar. Eu vi a dor em seus olhos e o desespero.
- Tudo bem - disse finalmente vencida - eu fico.


Já na casa dele comemos macarrão instantâneo. Fomos deitar cedo, sem assunto e sem nada para fazer. Ele fez uma cama no sofá para mim, o sofá dele era muito confortável.
Eu tive um sonho muito estranho esta noite, sonhei que eu estava estirada no chão, no sol, sagrando, Gregory, mais conhecido como Van Don Launmer, estava passando sal e limão sobre os meus ferimentos. Foi horrível.
Acordei assustada ainda de noite ouvindo alguns barulhos. Devagar me levantei e acendi a luz, quase tive um "treco" quando vi Jonny parado na escada com cara de zumbi. Ele correu para meu lado, cobriu minha boca com as mãos, me impossibilitando de fazer algum barulho, apagou a luz e se escondeu atrás do sofá, me puxando junto.
- NUNCA acenda a luz quando ouvir barulhos, entendeu? - ele sussurrou em meu ouvido.
Eu balancei a cabeça em sinal afirmativo. Ele destapou a minha boca.
- O que está acontecendo?
- Eu desci para beber água e vi um vulto passando. Duas vezes. Se for o Gregory, ele realmente é muito descuidado.
- E agora o que vamos fazer?
- Vamos sair daqui e chamar a polícia.
Ele foi me puxando até a porta de entrada e tentou abrir, trancada. Fomos até a janela e tentamos abrir, também trancada.
- Ele é mais esperto do que eu pensava.
Tentamos todas as janelas da casa. Deve ter levado bastante tempo.

As luzes se acenderam quando estávamos tentando abrir a porta dos fundos. Olhamos para trás e lá estava ele.
- Quer dizer que nos encontramos novamente não é? - Gregory perguntou com um sorriso de malícia no rosto.
- Eu só tenho uma coisa a dizer com isso. Na verdade, a perguntar. - falou Jonny, ele tinha uma coragem que eu admirava - Por que você quer fazer chantagem à Nora?
- Oh! Eu não queria fazer chantagem. Eu queria vingança.
- Por que? - eu perguntei meio abobada, surpresos eles olharam para mim.
- Na época do colégio eu gostava dela, mas tinha vergonha de expor meus sentimentos, e durante muito tempo me esnobou. Quando crescemos ela me contratou, eu precisava de dinheiro. Ela começou a namorar seu pai e teve você, uma criatura insignificante. Agora consegui me vingar com seu pai, mas não com Nora.
- Isso não está nem um pouco certo. Que culpa tinha meu pai nisso? - perguntei indignada.
- Se ela não fica comigo, não fica com ninguém - Gregory respondeu. A raiva transparecendo em seus olhos.
- Você é um egoísta maluco! - eu me admirei com minha coragem naquele momento.
- Ah! Esqueci de dar a noticia maior. Eu vou te matar, agora e aqui. - ele olhou para Jonny - e você também caro Senhor Jonny.
Ele sacou uma arma e apontou para mim. Atirou, senti minha pele queimar no lugar que foi atingido. Eu caí no chão e me contorci de dor. Acho que nessa hora a polícia arrombou a porta.


- Carina, por favor, acorde. Por favor.
- Jonny?
- Sim?
- Você está vivo? Está bem?
- Eu estou bem - ele respondeu.
- Então isso é o que importa. Me deixe morrer eu não quero mais viver. Só quero uma coisa.
- Qualquer coisa - disse ele entre lágrimas e soluços.
- Eu quero matar Gregory.

Ele olhou para mim com cara de assustado. Sem cerimônia me ergueu e colocou sobre seus ombros. A dor estava quase dominando, mas eu teria de resistir apenas mais um pouco. Ele colocou uma faca em minhas mãos e sussurrou:
- Todo seu - segurou minha mão e a posicionou - é só ir fundo.
Olhei para baixo e vi uma imagem embaçada de um homem se contorcendo, parecendo que estava tentando se livrar de algo amarrado na boca.
Hesitei. Será que eu queria ser igual a ele? Queria ser uma menina assassina? E a resposta? Sim. Eu queria. Fiz uma força tremenda, mas fiz o trabalho sujo e me rendi, para finalmente descansar em paz e encontrar meu pai, onde quer que ele estivesse.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Notícia

Houve um pequeno problema e não conseguirei terminar a história Em uma noite de verão a tempo, desculpem pelo ocorrido. Amanhã postarei sem falta.

OBS.: Eu até posso conseguir terminar hoje, mas aí vai ser de noite.

Bjão

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Notícia - EM BREVE

Pessoal, eu estou um pouco ausente esses tempos, mas é porque eu estou muuuuuito preocupado com uma prova que eu vou fazer na terça feira, e eu estou estudando, então depois dessa prova, eu estarei preparado para postar novos contos fresquinhos para vocês. Segue os próximos contos que eu vou escrever, espero que agradem pelo nome (:

TERROR: O mistério da Dália
DRAMA: Os Órfãos
COMÉDIA: O Aniversário



PS: A Is está arrasando nos contos dela não é?

Em uma Noite de Verão 2 - EM BREVE ~~

Por pedidos de fãs. E Ca ( ele insiste que eu  chame assim, é um JAMAL mesmo ) , claro!  : D
Resolvi começar Em uma Noite de Verão 2 , a continuação de Em uma Noite de Verão, que se encontra um pouco mais abaixo ;}

Previsto para: 25/01

Espero que curtam a continuação do conto!

Bjiin ... amovcs

Emilly John - Parte 3 : O Final

Deixei a vasilha de água cair e comecei a tremer. Não tive coragem de olhar para trás, não sei. Sempre fui tão corajosa. Mas nesse instante não era qualquer um que estava atrás de mim. Eu sabia disso, e o pior, não havia como reverter a situação.



Pouco a pouco fui recuperando a coragem e perguntei sem me virar:


- Eu pensei que você estava preso.


Procurei não esboçar nenhum sentimento de raiva ou medo. Tentei ser seca e direta, como aqueles detetives da Tv.


- É, mas a segurança dessa cidade não é lá boa coisa. Consegui escapar rapidinho. É incrível como os seguranças dormem em serviço - falou o assassino.


- O que você queria com aquelas mulheres e o dentista?


- Filhinha, filhinha, você é tão ingênua. Estou vendo que vou ter que contar a história inteira. Pelo menos vou ter um divertimento, te ver agonizar antes de te matar - nessa hora eu tive um arrepio pelo corpo inteiro, então esse seria o meu destino? - Quando você nasceu, sua mãe veio me pedir socorro, ela teve que inventar um mentira absurda para John acreditar que você era filha dele.


Ele soltou um pigarro então continuou:


- Mas aquela mentira não foi o suficiente. Ele veio conversar comigo, para ver se era verdade mesmo, você sabe né? Gente idiota. Começamos uma discussão muito interessante, uma hora eu perdi a paciência, não sou feito de ferro - ele agarrou meu braço e eu gritei.


Ele apertou ainda mais meu braço.


- Ei, ei mocinha. Você pode ter sua chance de sair viva daqui, mas apenas se ficar quietinha e escutar minha história.


Ele me "arremessou" em direção às camas e pela primeira vez vi seu rosto. Seus cabelos eram grisalhos e haviam muitos pés-de-galinha em torno de seus olhos. Seu rosto era mais parecido a de um senhor de média idade, em torno dos seus cinquenta anos, não a de um criminoso psicopata.


- Você não é meu pai - disse entre lágrimas e soluços.


- Espere. Vamos deixar os votos de carinho para o final. Talvez você esteja se perguntando: "Carlos, por que você sequestrou todas aquelas pessoas?". Simples. Eu queria saber o seu paradeiro. A sua mãe, ao saber o que eu tinha feito fugiu para essa minúscula cidade do interior. O Augusto, era dentista do seu pai, ele logo abriu o bico quando eu envolvi a filha dele. EU o trouxe pra cá por precaução. Mas ainda não sabia em que parte da cidade você estava. Sequestrei a sua professora, e a pediatra, bom, a pediatra estava junto quando a sequestrei!


- Mas isso acaba aqui Adamastor - olhei para o lado e minha mãe estava apontando uma arma para MEU PAI.


- Mãe?


- É esqueci desse detalhe. Sua mãe sabia de tudo isso e só tentou impedir quando soube que envolvia você.


- Não é verdade - minha mãe disse.


- Cala a boca, cala a boca! - ele avançou em minha mãe e começou a bater nela.


Com o susto e com o medo ela deixou cair a arma no chão. Eu pensei e agi rápido, peguei a arma. Naquele momentou minha precisão não poderia falhar. Atirei.


~~


Eu estava embrulhada em um cobertor, tremendo de remorso. Eu havia matado um homem. Eu havia tirado uma vida. Eu havia matado o meu PAI.


- Querida muito obrigada. Se fosse outra pessoa, não teria piedade de mim.


- Dona Carmen, você é minha mãe. Não tem como eu ter raiva de você. É pra isso que as filhas servem, não é? Tentar trazer alguma alegria, proteger, cuidar de sua mãe. Retribuir o que ela fez pela gente, quando éramos pequenos.


Abraçadas ali, no relento, rodeadas pela polícia e ambulância ficamos chorando, dizendo o quanto nos amávamos.


Apesar de achar errado o que minha mãe fez, eu tive a capacidade de perdoá-la. Pensei que nunca ia acontecer, mas com o passar do tempo esqueci, e vivi minha vida como se eu fosse uma garota normal. Na verdade eu era a filha do assassino, mas o que realmente importa é que não sou como meu pai. Sou um exemplo. Uma vitoriosa.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Emilly John - Parte 2 : Em busca da razão

Continuação...
Quase caí para trás com aquela notícia. Minha querida Dona Carmen ficou entre choros e soluços, arranjou forças para continuar e depois de um grande suspiro falou:
- Quando eu era casada com John, tive um caso com o...
- Com quem mãe?! Para de enrolar. Seja firme e fala logo, sua fraca! - eu já estava estressada.
- Com o Adamastor! Pronto falei! Você é filha dele e não do John! Eu não queria que você soubesse. Foi um erro meu...
Não deixei ela terminar o seu discurso muito "emocionante" de como minha vida foi uma farsa e de como ela era culpada por eu ser filha de um criminoso.
Fui para o meu quarto e tranquei a porta. Chorei muito, enchi o travesseiro de lágrimas de dor e ódio. Depois de ensopar o travesseiro eu decidi que eu iria fugir de casa. Esssa noite.
Peguei minha bolsa e coloquei meu celular, uma camiseta limpa e uma escova de dente, só por precaução. Peguei também minha carteira com 50 reais, minhas economias. Coloquei minha jaqueta mais quente, pois lá fora estava muito frio.
Pulei a janela e dei o último adeus em silêncio. Agora eu tinha que decidir onde eu iria.
Comecei a andar sem rumo pelas desertas ruas de St. L'avigne. Passei pelo mercado, pela quitanda, pela praça e qual não foi minha surpresa, cheguei no posto de gasolina, onde era o escoderijo do meu pai psicopata.
Já estava escurecendo. Eu havia chorado a tarde inteira. Resolvi entrar.
É difícil dizer isso, mas, como era arrumado o esconderijo, claro, o banheiro não era muito limpo e as paredes do quarto não eram rebocadas e o chão era cimento puro. Porém, haviam quatro camas, uma para cada, uma para cada prisioneiro, imagino. Havia também no canto oposto uma geladeira. Eu a abri. Dentro havia queijo, duas bananas, meio pacote de pão de forma e uma jarra de água. Tudo parecia estar em sua validade.
Eu estava com muita sede, peguei a jarra e procurei algum recipiente que eu pudesse tomar. Achei uma vasilha. Enchi uma vez e joguei no chão, só para limpar. Enchi de novo e coloquei a jarra na geladeira.
- Fazendo o que aqui, a essa hora da noite?

       CONTINUA...

O Mistério de Emilly John - Parte 1 : Em meu quarto

- Este conto é um pouco grande, como se fosse um livro. Vou postando em partes para não ficar muito enjoativo de ler.
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Eu sou Emilly. Emilly Parks John. Moro em Santa L'avigne faz um bom tempo. St L'avigne é uma cidade do interior quase esquecida pelo planeta. Talvez nem conste no mapa. Pelo menos, no meu velho e surrado Atlas não avistei nenhum sinal, mas é tão velho que suas informações são meio duvidosas.
Há um certo acontecimento que vem me importunando faz algum tempo. Vários sequestros vêem acontecendo. Três em apenas quatro semanas. E o pior, sem deixar rastro nenhum.
Um exemplo foi a minha professora, ela sumiu há alguns dias, o que me deixa com um enorme tempo livre. Estou entediada agora, sem lições de casa, sem deveres, eu devia estar feliz com isso, mas por que não consigo?
- Filha, vem me ajudar a servir o jantar! - ouvi minha mãe dizer, como sempre, pontualmente às 19 horas.
Levantei-me devagar e me dirigi à cozinha.
Coloquei a mesa e eu e minha mãe sentamos para comer. Comi um pedaço de frango e um milho cozido inteiro.
Bati o olho no jornal que estava ao meu lado e li a manchete: "Louco sequestra pessoas em Santa L'avigne".
- Este jornal é de hoje mãe? - perguntei tentando não parecer muito interessada.
- É sim, filha, se quiser pode pegar, eu já terminei de ler.
Abri na página indicada pela manchete e li rapidamente alguns parágrafos.
" Nesta última terça-feira foi encontrado o esconderijo de Adamastor Carlos próximo ao posto de gasolina em St L'avigne. Foram encontrados Jaime Lohan, pediatra, Kelly Clark, professora e Augusto Gonçalvez, dentista em um pequeno quarto em condições muito precárias [...]"
"[...]Não se sabe ainda o motivo do sequestro, mas Adamastor será investigado amanhã, quinta-feira."
"Acredita-se ainda que Adamastor pode ter sido o autor do assassinato de"...
Não acreditei no que estava lendo, realmente eu não acreditei. O meu pai, Thompson John. Ele!
Minha mãe havia dito que ele sofreu um acidente de carro! Meu Deus. Ele não sofreu um acidente de carro. Ele foi assassinado por Adamastor Carlos, um louco, psicopata!
Acordei cedo, o café estava na mesa. Me sentia muito cansada, a ponto de arranjar um escândalo a qualquer momento. Eu tive um pesadelo, mas não me lembro de nada, só sei que eu não consegui descansar nem um pouco.
- Mãe, a gente precisa conversar.
- So-sobre o que? - ela disse meio nervosa, o que fez eu desconfiar mais ainda que ela escondia algo de mim.
Eu pedi pra ela sentar, peguei a reportagem ao qual o nome do meu pai estava escrito e mostrei à minha mãe. Ela ficou paralisada por um tempo e depois começou a chorar.
- Pensei que eu havia escondido essa matéria. Mas, - ela suspirou - vejo que chegou a hora de contar...
Ela não continuou a frase.
- Contar o que? - perguntei já irritada.
Ela hesitou - Thompson Jones... Não é seu pai.

                 CONTINUA...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Notícia

Pessoal, não postei nenhum conto hoje porque eu fui fazer um passeio com umas amigas no Jardim Botânico em Jundiaí, lá é um cantinho da natureza no meio da cidade, hehehe. Tenho de admitir que é muito bonito. Segue algumas fotos de lá, bom na verdade duas:




Confesso que não som bom com fotos. Posto outro conto amanhã, espero que gostem (:

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Amando que se vive

Como? Como tanta perfeição? Era o que eu pensava todas as vezes que via sua foto, quando pensava em seu rosto, e como se toda a perfeição do estivesse em uma pessoa so. Na escola nem dava nem nunca deu bola para mim, como se eu fosse ninguem. Meu nome e June e estava no ultimo ano do colegio, e eu gostava de Emile, o cara mais gato de toda a escola, e todas as meninas babavam por ele. Certo dia quase que por milagre ele começou a fazer fisica comigo e o professor nos colocou juntos, nessa hora eu pensei que so teria essa chance de falar com ele sem parecer uma tola. Timidamente eu o cumprimentei, sem olhar para mim ele fez o mesmo. Como ele pode ser tao seco e nos moramos no mesmo predio, eu tenho varias fotos dele que obviamente eu tirei escondida. Depois da aula seguindo para o almoço eu trombei com ele no corredor. -Voce esta bem? -Acho que sim, obrigada. –June, não é? Sei que e meio estranho, mas, voce poderia ir la em casa qualquer dia desses para me ajudar com biologia?. Não acreditava no que eu acabara de ouvir, eu estava totalmente radiante, e aceitei na mesma hora e lhe disse que eu estava livre e que poderia ir hoje, ele topou. Estava tão feliz, eu não podia acreditar que eu iria a casa do meu príncipe encantado, aquilo não era real, ele era perfeito e lindo demais. Mais tarde, na hora marcada eu estava indo para a casa dele com meu material de biologia. Ele morava apenas com a mãe, o pai havia ido embora com uma mulher que mal conhecia, e a mãe havia entrado em depressão após isso. Bati duas vezes na porta, mas ela estava aberta, então eu entrei. Assim que chego à sala da casa, vejo a mãe dele, no sofá dormindo completamente bêbada, o que me pareceu, pelas inúmeras garrafas que havia lá, a casa estava um lixo. Chamo por Emile, mas ele não responde. Penso se ele realmente está em casa, vou até o quarto dele e sinto um cheiro forte de alguma coisa, que até me deixou tonta, e avistei-o sentado no canto do quarto, eu fiquei horrorizada com aquela cena, o meu menino perfeito naquela situação revoltante e triste, eu não conseguia acreditar. –Emile, o que está acontecendo com você? –June? Não queria que você visse... Desse jeito... Por favor, vá. –Não, eu não vou a lugar algum, você está péssimo, você precisa de um médico. –Estou bem, eu só estou um pouco drogado. –Drogado? Você usa drogas? –Sim, desde que meu pai foi embora. Senti uma tristeza muito grande me apertando no peito, não queria ver a pessoas que mais amava naquelas condições, eu o queria bem, e livre de drogas, enquanto pensava por um momento percebi que ele havia dormido, e decidi ajudá-lo de alguma forma, começando por aquela casa que estava realmente pavorosa. Comecei a fazer uma bela faxina naquela casa, me livrando tudo que era droga que encontrava e garrafas de bebida, varri e tirei pó até a casa ficar apresentável, a cozinha foi a parte mais difícil de limpar, tinha coisas lá que deviam estar lá há meses. Depois, arrumei os armários, gavetas e outras coisas. Quando ele acordou, eu estava sentada na cama dele, olhando para ele. –Mas, o que você fez aqui? –Eu só dei uma arrumada, e limpei um pouco. –June, isso é incrível. Você é incrível. O que eu poderia fazer para recompensá-la. Olhei timidamente para ele e lhe disse que o amava demais, o amava desde que havia o conhecido no primeiro ano do colégio. –Bom, acho que você vai gostar disso então. Ele se levantou e me beijou, o beijo mais maravilhoso de toda a minha vida, um beijo que nunca iria esquecer um beijo que não poderia esquecer. Depois de nos beijarmos sentei em sua cama e comecei a chorar. –Porque você está chorando June? Eu beijo tão mal assim? –Não, eu estou emocionada, eu sempre sonhe com isso. –Olha June, se isso a deixa tão feliz... Quer namorar comigo? –Como? –Namorar. Eu. Você. Meus olhos se encheram de lágrimas novamente e eu soltei um sonoro aceito. –Emile, eu prometo de irei fazer da sua vida e de sua mãe a melhor, vocês não precisam do canalha do seu pai para ser felizes, só precisam de afeto, e estou aqui para isso. –June, ninguém nunca me deu tanto apoio assim, estou começando a amar você como nunca amei antes. –Fico feliz por isso. Ficamos um tempo juntos conversando, até que minha mãe me liga e pede para que eu volte, já estava quase na hora do jantar. Despedi-me e fui embora, mais tarde recebo uma ligação de Emile, ele disse que sua mãe precisava ir ao hospital, porque ela não achava sua bebida e estava enlouquecendo, falei que estava a caminho. No caminho até o apartamento dele, liguei para a emergência. Quando cheguei lá, a mãe dele estava com uma faca na mão e disse que iria se matar, ela precisava da bebida dela. –Mãe, por favor, não faça isso por mim. Eu só tenho você. Ela começa a chorar desesperada mente enquanto leva a faca até o pescoço. –Mas sem a bebida eu não sou nada, sem o seu pai eu não sou nada. –Senhora Flores, escute não faça isso, você tem a vida toda pela frente, você pode ser feliz junto com seu filho. –Eu não agüento mais isso. Emile avançou contra ela para tirar a faca dela. –Não Emile, não faça isso. Mas já era tarde demais, ela já tinha se matado, e caíra no chão, provavelmente morta. –Viu, é tudo culpa sua você tirou a bebida dela, você matou minha mãe, eu te odeio. –Emile, eu só queria o bem de vocês. –June, vá embora, me deixe sozinho. Comecei a chorar e fui embora, havia começado a chover e eu vi a ambulância chegando, mas não parei e fui para meu apartamento. Cheguei me tranquei no quarto e chorei, e acabei dormindo. No dia seguinte eu fui para a escola e ele não estava lá, eu precisava falar com ele, durante uma semana ele não apareceu, não ligou e também não estava em seu apartamento. No meio da noite depois de oito dias do ocorrido, ele me mandou uma mensagem, e disse para que eu fosse ao apartamento dele, ele estaria lá e que precisava falar comigo. Troquei-me com a primeira roupa que encontrei e sai devagar do quarto. Quando saí, corri para o elevador para chegar ao bloco dele. Quando cheguei lá, ele estava diferente, senti que ele estava com uma feição triste, mas pensativa. –June, eu sinto muito de ter falado essas coisas horríveis para você, você não teve culpa eu estava em choque no momento, e você só queria ajudar-nos, você não queria que isso tudo acontecesse, eu sempre vou te amar. –Oh Emile, tudo bem, eu te entendo, nós nunca, nunca vamos nos separar. Eu era tão obcecada por uma pessoa que amava, que tudo acabou dando certo, e estou até hoje com o meu Emile, meu amor eterno.