segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Um amor por acidente

Era um dia incomum. Um dia em que até eu não podia imaginar que existisse. Um dia em que a morte pede para ser morta. Um dia em que os mortos dominam com o caos.


Sei que não estou sendo muito clara, mas até pode ser, realmente você não quer terminar esta história.

Em um dia de inverno, um dia muito frio eu estava me aquecendo perto da lareira quando ouço um barulho vindo do lado de fora, um barulho do tipo, vidros de estilhaçando e uma pancada, talvez até um barulho de freio, não sei ao certo, o susto me dominou, quando voltei ao normal, resolvi atender. Estava sozinha em casa, esperando meus pais chegarem da missa de domingo. Achei meio estranho, certamente eles voltariam meia-noite, como de costume.

Com um certo receio abri a porta apenas para enxergar por um fresta. Ao ver que se tratava de uma pequena senhora, velha e enrugada, quase roxa de frio e tremendo muito, digo logo para ela entrar, desobedecendo às ordens de meus pais. Passo um café para a velha e sento com ela na mesa.

- O que aconteceu com a senhora? Por que estava naquele frio sozinha?

- Eu estava a procura de meu filho jovem dama. Um rapaz que lhe agradaria muito. Oh sim! Muito... - disse a velha, tossindo a cada duas palavras e devagando no espaço ao terminar a frase.

- Por que acha que eu gostaria de seu filho? Como pode saber se nem me conhece?

- Ora filha! Todos gostam... - e novamente ficou pensando em algo que eu não sei explicar - Gostam sim. Pelo menos você gostaria se eu soubesse onde ele estaria. Coitado.

- O que aconteceu com ele? - perguntei, realmente muito inclinada a conhecer a vida pessoal desse garoto.

- A alguns dias sofremos um acidente de carro e eu fui parar em um hospital. Disseram-me que meu filho estava passando bem e que em cerca de 5 dias já estaria de volta para mim. Depois de 5 dias fui procurá-lo e nada. Seis dias, nada. Uma semana, nada novamente. Chequei na lista de pacientes e seu laudo estava dado como desaparecido. E até hoje eu o procuro em cada esquina, em cada lugar que eu passo.

Sem dizer mais nada ela se levanta e sai com um pedaço de pão na mão e mais algum alimento em uma cesta que eu havia lhe dado.

--

- Marcy, você não acha essa história esquisita demais?

- Não, por que eu acharia? - eu disse.

- Não sei - a Anna estava meio pensativa e confusa esses dias, por isso não liguei muito.

Ao entrar na sala de aula percebo um garoto, maravilhoso, lindo e desconhecido. Nunca havia visto ele. Pela conversa agitada na sala de aula e em volta dele, devia ser aluno novo. Para minha surpresa ele era meu par nessa e em mais duas aulas. Não creio... Só pode ser o destino.

Durante dias ficamos amigos, saímos juntos, e depois, começamos a namorar. Em questão de dois meses. Isso nunca havia ocorrido na faculdade.

Domingo de novo, ele estava lá em casa. Escuto o mesmo barulho que escutei aquela noite em que aquela senhora apareceu em casa. Abro a porta e não vejo ninguém. Sinto um golpe muito forte em minhas costas, perdi o ar e virei para trás.

Lá estava ele e a velha, não entendi bem. Mas conforme tudo foi se esclarecendo com o enrolar da conversa me lembro de tudo.

- Surpresa não? - disse Kevin, com seu sorriso maroto e que me dava conforto, mas agora, me dava um arrepio na espinha.

- O que está acontecendo aqui? - falei finalmente depois de conseguir respirar algumas vezes.

- Ela é minha mãe. Eu sou o garoto do acidente, e você a menininha que não me ajudou lembra? Você realmente era uma garota tão mimada.

Aos poucos a imagem, eu tinha apenas quatro anos, estava andando na rua da casa de minha avó sozinha, aquela rua não era perigosa, mas de vez em quando apareciam alguns cervos. Apenas deu tempo de ver um clarão e ouvir um estrondo muito grande. Ao ver uma senhora no carro desmaiada me apavorei, mas meu lado sombrio apareceu quando eu olhei para um rapaz, sangrando estirado no chão, implorando por misericórdia.

Deixei ele morrer e sofrer, deixei ele sangrar até a morte e fiquei observando, eu não sabia por quê.

Desmaio e sonho, uma coisa muito estranha de se dizer. Sonhei que eu estava em um carro, andando a 100k/h com uma velha ao meu lado. Eu estava dirigindo quando vi um cervo e desviei, batendo em uma parede, capotando e depois caindo em arame farpado, eu me contorcia de dor, a dor era tão forte que pensei que era de verdade, vejo o Kevin, rindo da minha cara. Acordei daquele pesadelo, mas eu não estava em meu quarto, estava em uma sala de hospital com meus pais segurando minhas mãos. Foi de verdade, então significa que...

- Ele me salvou...

1 comentários:

Sandra Ferretti disse...

hmm, interessante.

Postar um comentário